DynamicLab Gazette
reflexões sobre a aprendizagem on-line
Aprendizagem, Interações e Elearning
Paula de Waal e Marcos Telles - Janeiro, 2005
Não é raro ver-se a palavra "elearning"sendo usada, equivocadamente, como sinônimo de "curso via internet". Na verdade, elearning é algo bem mais amplo que se insere no conceito muito mais abrangente de "aprendizagem". A apresentação de diferentes tipos de elearning deixa isso ainda mais claro. Em especial, deve ser ressaltado o importantíssimo papel que o elearning pode ter no apoio à aprendizagem informal.
Alguns Tipos de Aprendizagem
Dois dos pontos de vista pelos quais podemos olhar a aprendizagem são o grau de estruturação do processo e a intencionalidade do aprendedor.
Quanto ao grau de estruturação podemos falar em:
- aprendizagem informal: é aquela aprendizagem que ocorre em ambientes não estruturados para esse fim; ela ocorre ao longo de toda a vida tendo como fonte a experiência e erro, o trabalho, amigos e parentes, o colega ao lado, um help-desk, a mídia, a observação da atividade de outras pessoas, a literatura especializada etc. Um tipo especial de aprendizagem informal é a aprendizagem incidental que ocorre como produto colateral de outra atividade (contatos pessoais, uso do computador, observação de situações, erros etc.) e que, normalmente, não é percebida como aprendizagem pelo aprendedor. Também ligado ao conceito de aprendizagem informal está aquele de conhecimento tácito que é o conhecimento existente numa organização que não está escrito em lugar nenhum; esse tipo de conhecimento pode ser essencial para a operação da organização mas não pode ser objeto de uma aprendizagem formal e
- aprendizagem não formal: é a aprendizagem claramente estruturada, propiciada por entidades que não pertencem ao chamado "sistema formal de educação e treinamento" como ONGs, associações e a própria empresa.
- aprendizagem formal: aquela aprendizagem claramente estruturada, propiciada por entidades que pertencem ao chamado "sistema formal de educação e treinamento", sistema esse reconhecido por leis e entidades governamentais e que concede diplomas,
Quanto à intenção do aprendedor, podemos ter:
- aprendizagem intencional: na qual o aprendedor quer aprender alguma coisa e persegue esse objetivo e
- aprendizagem acidental: na qual a aprendizagem aprende alguma coisa cujo conhecimento não buscava especificamente (como acontece as inúmeras coisas que aprendemos a cada dia).
O Grande Paradoxo
Há um forte consenso sobre o fato de que a maior parte das coisas que nós aprendemos na vida nós aprendemos com outras pessoas. O reflexo disso é que, segundo estudos, 70% ou mais de toda a aprendizagem que ocorre numa organização acontece por via informal.
O paradoxo, aí, é que raramente a aprendizagem informal é considerada em programas de aprendizagem, ficando toda a atenção e toda a verba concentradas na aprendizagem formal.
Além da percepção de seu impacto, reconhece-se, mais e mais, que a aprendizagem informal tem a capacidade de oferecer respostas imediatas, que tomam pouco tempo, que são contextualizadas e que se inserem em processos controlados pelo aprendedor; ademais, ela atua como importante veículo de disseminação dos conhecimentos adquiridos pela via formal.
O grande desafio que surge disso tudo é a criação de condições para que a aprendizagem informal e a não formal aconteçam com maior facilidade e acabem por tornar-se parte da cultura da organização.
Dois conjuntos de medidas podem ser imaginados: um voltado para o indivíduo e outro voltado para o grupo:
- medidas voltadas para o indivíduo incluem: mentoring e coaching, FAQs, bancos de dados, help-desks 24x7, treinamento em "como aprender", comunicação instantânea (tipo "mesenger"), locais para contatos com pares, valorização de exemplos etc.,
- medidas voltadas para o grupo incluem: comunidades de prática, ferramentas de trabalho colaborativo, encontros inter-funcionais etc.
Uma medida institucional importante pode ser a criação de um item orçamentário para a aprendizagem informal.
Essa simples relação de medidas deixa claro o quanto o elearning pode contribuir para a sua consecução em paralelo com sua contribuição para a aprendizagem formal.
Elearning
(E-Learning, eLearning, elearning)
É corrente a definição de elearning como sendo toda a atividade de aprendizagem (formal e informal) e de treinamento que utilize, de forma significativa, meios eletrônicos de comunicação como Internet, intranet, extranet, CD-rom, video tape, DVD, TV, telefones celulares etc.
Na linguagem da prática, porém, cada vez mais a expressão elearning é reservada para a aprendizagem via internet.
As soluções que combinam o uso da internet com outros meios para a criação de ambientes de aprendizagem são chamadas de "blended"cujo exemplo mais comum são os cursos semi-presenciais (internet mais aulas presenciais).
Na aprendizagem informal, o elearning toma a forma de comunidades de prática, help-desks, knowledge management systems, work-flow-learning, FAQs, fóruns etc.
Em especial, o elearning baseado em work-flow vê a aprendizagem não mais como um conjunto de eventos mas, sim, como um processo contínuo e contextualizado. Ele busca otimizar o desempenho de uma atividade através de softwares "inteligentes" que apoiam as pessoas envolvidas na realização de uma tarefa através de informações e, mesmo, possibilidade de consulta a especialista ao longo de todo o fluxo do processo. Assim, o apoio é fornecido no momento em que é necessário.
Modelos de Elearning
A apresentação de modelos de elearning fica mais objetiva e prática quando a fazemos a partir das interações envolvidas e não dos múltiplos fatores presentes. Essas interações são:
- aprendedor-tecnologia,
- aprendedor- conteúdo,
- aprendedor-tutor e
- aprendedor-aprendedor.
Alguns dos modelos daí decorrentes são:
- auto-aprendizagem individual: na qual o aprendedor se relaciona diretamente com o conteúdo através de materiais e exercícios que são fornecidos automaticamente ao aprendedor cujas respostas são avaliadas de forma também automática (o protótipo disso é a aprendizagem via CD-rom, freqüentemente emulada na internet);
- auto-aprendizagem assistida: na qual o aprendedor toma a iniciativa de buscar soluções para problemas específicos recorrendo, para tanto, a help-desks, especialista ou pares;
- aprendizagem tradicional: na qual a transmissão de informação é mediada por apresentadores (ex: eventos on-line);
- aprendizagem colaborativa: na qual, com base em documentos de referência, os conceitos são desenvolvidos por trabalho em grupos, com apoio de tutores;
- aprendizagem participativa: na qual a aprendizagem individual acontece não só pelo relacionamento com o conteúdo mas, também, pela interação com pares (aprendizagem participativa) e tutores (que propõem ao aprendedor atividades individuais a serem avaliadas por eles, "animam" e moderam as discussões dos fóruns e reajustam, quando necessário, os planos de trabalho).
fim