| |
DynamicLab Gazette - 31- 08 -04 reflexões sobre a aprendizagem on-line A Taxonomia de Bloom Paula de Waal e Marcos Telles - Agosto, 2004 Benjamin Bloom liderou um grupo formado pela American Psychological Association para criar uma "classificação de objetivos de processos educacionais". O primeiro passo para a definição dessa taxonomia foi a divisão do campo de trabalho em 3 áreas não mutuamente exclusivas: - a cognitiva, ligada ao saber, - a afetiva, ligada a sentimentos e posturas e - a psicomotora, ligadas a ações físicas.
A Área Cognitiva Normalmente, quem fala na Taxonomia de Bloom refere-se ao trabalho intitulado "Taxonomia e Objetivos no Domínio Cognitivo" que foi o primeiro a ser publicado (1956). Ali, Bloom classifica os objetivos no domínio cognitivo em 6 níveis que, usualmente, são apresentados numa seqüência que vai do mais simples (conhecimento) ao mais complexo (avaliação); cada nível utiliza as capacidades adquiridas nos níveis anteriores. As capacidades e conhecimentos adquiridos através de um processo de aprendizagem são descritas por verbos. Assim, os objetivos de aprendizagem de um curso, or exemplo, podem ser definidos com o auxíliuo do quadro abaixo: | Taxonomia de Bloom Área Cognitiva | | níveis | objetivos | capacidades a adquirir | - conhecimento
| lembrar informações sobre: fatos, datas, palavras, teorias, métodos, classificações, lugares, regras, critérios, procedimentos etc. | definir, descrever, distinguir, identificar, rotular, listar, memorizar, ordenar, reconhecer, reproduzir etc. | - compreensão
| entender a informação ou o fato, captar seu significado, utilizá-la em contextos diferentes. | classificar, converter, descrever, discutir, explicar, generalizar, identificar, inferir, interpretar, prever, reconhecer, redefinir, selecionar, situar, traduzir etc. | - aplicação
| aplicar o conhecimento em situações concretas | aplicar, construir, demonstrar, empregar, esboçar, escolher, escrever, ilustrar, interpretar, operar, praticar, preparar, programar, resolver, usar etc. | - análise
| identificar as partes e suas inter-relações | analisar, calcular, comparar, discriminar, distinguir, examinar, experimentar, testar, esquematizar, questionar etc. | | - síntese | combinar partes não organizadas para formar um todo | compor, construir, criar, desenvolver, estruturar, formular, modificar, montar, organizar, planejar projetar etc. | | - avaliação | julgar o valor do conhecimento | avaliar, criticar, comparar, defender, detectar, escolher, estimar, explicar, julgar, selecionar etc. |
A Área Afetiva Os objetivos de aprendizagem considerados na Área Afetiva estão ligados a idéias como comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção, valores. Seguindo o modelo adotado para a área cognitiva, os objetivos são descritos por verbos. | Taxonomia de Bloom Área Afetiva | | níveis | objetivos | capacidades a adquirir | | recepção | dar-se conta de fatos, predisposição para ouvir, atenção seletiva | dar nome, descrever, destacar, escolher, identificar, localizar, manter, perguntar, responder, seguir, selecionar, usar etc. | | resposta | envolver-se (participar) na aprendizagem, responder a estímulos, apresentar idéias, questionar idéias e conceitos, seguir regras. | adaptar-se, ajudar, apresentar, desempenhar, discutir, escrever, estudar, falar, responder, selecionar, etc. | | avaliação | atribuir valores a fenômenos, objetos e comportamentos. | aproximar, completar, convidar, demonstrar, diferenciar, dividir, explicar, iniciar, justificar propor etc. | | organização (de valores) | atribuir prioridades a valores, resolver conflitos entre valores, criar um sistema de valores | adaptar, alterar, combinar, comparar, completar, concordar, defender, explicar, formular, generalizar, identificar, integrar, inter-relacionar, modificar, ordenar, organizar, preparar, relacionar, sintetizar etc. | | internalização | adotar um sistema de valores, praticar esse sistema | agir, cooperar, desempenhar, generalizar, influenciar, integrar, modificar, ouvir, propor, questionar, resolver, revisar, ser ético, verificar etc. |
A Área Psicomotora Bloom e sua equipe nunca desenvolveram uma taxonomia para a área psicomotora mas outros especialistas o fizeram. Esse é o caso de A. Harrow, A. que, em 1972, propos uma taxonomia de 6 níveis: reflexos, movimentos básicos, habilidades de percepção, habilidades físicas, movimentos aperfeiçoados e comunicação não verbal. A Revisão da Taxonomia Em 2001, Anderson and Krathwohl publicaram um revisão da taxonomia de Bloom na qual foram combinados o tipo de conhecimento a ser adquirido (dimensão do conhecimento) e o processo utilizado para a aquisição desse conhecimento (dimensão do processo cognitivo). O quadro dai resultante, apresentado abaixo, torna mais fáceis tanto a tarefa de definir com clareza objetivos de aprendizagem quanto aquela de alinhar esses objetivos com as ativdades de avaliação. | Taxonomia Revisada | | Dimensão do Conhecimento | Dimensão do Processo Cognitivo | | lembrar | compreender | aplicar | analisar | avaliar | criar | | factual | | | | | | | | conceitual | | | | | | | | procedural | | | | | | | | meta-cognitivo | | | | | | |
Como na taxonomia original, a versão revisada apresenta verbos que definem objetivos: | nível | verbos | | lembrar | reconhecer, recordar | | compreender | classificar, comparar, exemplificar, explicar, inferir, interpretar, resumir | | aplicar | executar, realizar | | analisar | atribuir, diferenciar, organizar | | avaliar | criticar, verificar | | criar | gerar, planejar, produzir |
Note-se que a versão revisada dá nomes diferentes aos 6 níveis da hierarquia e inverte as posições de "síntese" (agora "criar") e "avaliação" (agora "avaliar"). Hierarquia Howard Rotterdam alerta para o uso da palavra "hierarquia" no trabalho de Bloom. Para ele, os objetivos de conhecimento não formam uma hierarquia visto que, por exemplo, tarefas de avaliação não têm valor mais alto que tarefas de aplicação. Cada elemento da taxonomia tem seus próprios objetivos e valores. Críticas Embora muitas das críticas feitas à Taxonomia de Bloom sejam consideradas válidas, grande número de educadores entende que seu uso pode ser muito útil para o planejamento e desenho de eventos de aprendizagem. Ademais, ela oferece um bom apoio ao esforço de compatibilizar testes de avaliação com conteúdo de ensino. De fato, estudos mostram uma forte tendência, em certos níveis de ensino, de propor testes com questões concentradas nas faixas de "conhecimento" e "compreensão" o que poderia levar os alunos a distorcer o processo de aprendizagem, focando mais aquilo pelo que julgam que vão ser avaliados. Outras Taxonomias Como mesmo objetivo, foram desenvolvidas outras taxonomias como a Taxonomia SOLO e a Taxonomia de Marzano. fim |