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Dissonância Cognitiva e Aprendizagem
por Marcos Telles - Monday, 24 January 2005, 05:31
 

DynamicLab Gazette - 31- 07 -04
reflexões sobre a aprendizagem on-line

Dissonância Cognitiva e Aprendizagem
Paula de Waal e Marcos Telles - Julho, 2004

Dissonância Cognitiva

Toda pessoa tem "modelos mentais" de como as coisas são ou deveriam ser (valores, emoções, crenças, informações, opiniões, comportamentos etc.). A maioria desses modelos não tem qualquer relação significativa entre si mas alguns mantêm uma relação de concordância (consonância). O problema surge quando uma nova informação entra em choque com um modelo já existente (dissonância cognitiva) pois as pessoas não se sentem bem com esse tipo de incoerência entre modelos.

Festinger, o autor da teoria da dissonância cognitiva, compara esse desconforto psicológico com a fome; quando a pessoa fica um longo tempo sem comer, ela sente um desconforto que ela procura reduzir pela ingestão de alimentos; quanto mais fome ele tiver, maior será o desconforto e maior será a pressão para agir.

Essa necessidade de agir para restabelecer a coerência e, assim, reduzir a tensão desconfortável também existe, e de forma mais complexa, no caso da dissonância cognitiva e varia com o grau de tensão:

- a dissonância varia diretamente com o nível de discrepância: se a discrepância cresce, a tensão também cresce;
- a dissonância cresce se o número de discrepâncias cresce;
- a dissonância é inversamente proporcional ao número de consonâncias existentes e - a mente atribui às dissonâncias e consonâncias pesos relativos que podem ser ajustados por ela.

Para reduzir o desconforto produzido pela dissonância cognitiva a pessoa pode:

- substituir um ou mais modelos envolvidos na dissonância;
- buscar novas informações que aumentem a consonância;
- alterar os pesos relativos dos modelos em dissonância e até rejeitar (peso = 0) ou "relativizar" (...só vale em certas situações...) a nova informação.

Vale notar que:

- quando ocorre uma discrepância entre um comportamento e um conceito, é mais provável que o conceito seja mudado para acomodar o comportamento;
- a maior dissonância ocorre quando duas alternativas são igualmente atraentes;
- quando a pessoa reduz a importância de um elemento, a tensão é reduzida mas não ocorre nenhuma aprendizagem; já nos outros casos, há uma aprendizagem na forma da aceitação de uma nova informação em substituição a uma informação já existente; - Festinger descobriu que, uma vez criada uma dissonância cognitiva numa pessoa, um pequeno estímulo pode levar à adoção de novo comportamento, mas se o estímulo for muito forte a pessoa pode mudar apenas seu comportamento e manter o modelo mental conflitante.

Dissonância Cognitiva e Avaliação

A dissonância cognitiva pode afetar a avaliação de processos de aprendizagem pois:

-as pessoas tendem a reagir negativamente à aprendizagem de alguma coisa que conflite com modelos mentais já existentes e
-se um processo de aprendizagem exigiu grandes esforços e/ou sacrifícios, a pessoa tende a não admitir que seu conteúdo possa não ser importante.

Dissonância Cognitiva e Aprendizagem

A criação de dissonância é um instrumento utilizado em processos de aprendizagem. De fato, o surgimento da dissonância pode levar uma pessoa a reagir e, assim, aprender.

A criação de uma dissonância chama a atenção do aprendedor e pode estimular sua imaginação. Isso, porém, não basta e duas outras coisas devem ser levadas em consideração:

- a aprendizagem só ocorrerá se, após o estímulo inicial, for seguido um plano que propicie essa aprendizagem e
- a técnica não deve ser usada demais pois ninguém gosta de se ver em situação de tensão e/ou de erro com freqüência.

Kamradt and Kamradt

Tom Kamradt e Beth Kamradt analisam o uso da dissonância cognitiva como ferramenta para a mudança de modelos mentais.

Para eles, depois de estabelecida a dissonância, deve ser conduzido um processo para que mudanças intermediárias possam ocorrer gradualmente.

A estratégia proposta inclui dois pontos centrais:

- evitar qualquer tentativa de produzir mudanças radicais e
- trabalhar simultaneamente os domínios afetivo, cognitivo e comportamental buscando mudanças proporcionais e graduais até chegar à mudança final desejada.

Isso pode ser feito em 3 etapas:

- propiciar o uso do modelo mental numa situação que crie uma pequena dissonância;

- explicitar os componentes da dissonância com perguntas nos 3 domínios: o que você está sentindo? o que você está pensando? porque você agiu assim?
- trabalhar o componente que parecer mais dissonante;
- consolidar o novo modelo intermediário antes de prosseguir.

fim