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Spiro e a Linearidade
por Marcos Telles - Monday, 24 January 2005, 05:25
 

DynamicLab Gazette - 07- 06 -04
reflexões sobre a aprendizagem on-line

Spiro e a Linearidade
Paula de Waal e Marcos Telles - Junho, 2004


É usual ver-se a informação apresentada de forma linear, a exemplo de um livro lido do primeiro ao último capítulo ou um power-point visto do começo ao fim. As pesquisas de Rand J. Spiro e seus associados mostraram que isso não gera problemas quando a informação tratada é simples e bem-estruturada. Contudo, a linearidade causa problemas em estudos avançados em áreas como história, medicina e críticas literária que ele chamou de "domínios mal-estruturados".

Para Spiro, um "domínio mal-estruturado" é aquele que envolve interações simultâneas de múltiplas estruturas conceituais que se relacionam com diversas classes de situações mas cuja aplicação pontual varia de situação a situação, ainda que dentro da mesma classe.

O processo linear adequa-se bem à fase inicial de aprendizagem de conceitos e teorias básicos. Normalmente, quando os níveis de dificuldade aumentam, tudo vai ficando mais mal-estruturado. É para essa fase que Spiro advoga um enfoque não linear e baseado na apresentação da informação segundo múltiplas perspectivas.

Teoria da Flexibilidade Cognitiva

Essa é a proposta da "cognitive flexibility theory" que vê a flexibilidade cognitiva como a capacidade de reestruturar o próprio conhecimento em resposta a mudanças drásticas do ambiente externo.

Uma idéia básica nas teorias de Spiro é aquela de que o conhecimento necessário num certo momento não é, simplesmente, recuperado da memória na forma em que lá se encontra; para ele, o conhecimento necessário é construído em cada caso com base no conhecimento anterior disponível. Novos contextos e aprendizagem avançada exigem que os conhecimentos e experiências existentes sejam selecionados, combinados e adaptados de forma também nova.

Isso diz respeito tanto à forma de representar o conhecimento (segundo múltiplas dimensões) quanto aos processos utilizados para o processamento interno desse conhecimento (construção e não simples recuperação).

Decorre diretamente daí a proposta de um novo conceito de processo de aprendizagem na qual

um mesmo conteúdo é apresentado de diferentes maneiras e é aplicado a diferentes situações de tal forma que o aprendedor possa compreender inteiramente o problema e suas características de complexidade, inclusive os efeitos das mudanças das variáveis e dos objetivos.

A teoria afirma que a aprendizagem eficiente depende do contexto pelo que os processos de aprendizagem devem ser específicos.

Algumas características dos processo de aprendizagem baseados na teoria da flexibilidade cognitiva são:

- são evitados os excessos de simplificação e realçadas s inter-relações entre idéias,
- o conteúdo é apresentado de diferentes formas,
- são apresentados diversos casos e exemplos,
- são estabelecidas claras ligações com situações da vida prática.


HDM - Hypermedia Design Model

Com base nas idéias de Spiro foi desenvolvido o modelo HDM de projeto de hipermídia para eventos de aprendizagem guiados por meios eletrônicos e ligados a domínios mal-estruturados (domínios simples ou bem-estruturados podem seguir modelos mais convencionais). Esse modelo enfatiza a importância tanto dos objetivos do aprendedor (aquilo que ele quer aprender) quanto da tarefa de ajudá-lo a conseguir isso.

nnn

Modelo HDM

Os elementos do modelo são:

- definição do domínio de aprendizagem lembrando que amplitude maior leva a menor aprofundamento e que os limites devem ser claros pois cada domínio utiliza conhecimentos de outros domínios;

- identificação dos elementos de conhecimento e procedimento envolvidos e escolha de sua forma de representação (textos, gráficos, vídeos, sons etc.), evitando excesso de simplificação e cuidando para que as idéias sejam representativas e apresentadas segundo múltiplas perspectivas;

- criação e condições para o estabelecimento de duas vias paralelas:

--aquela orientada pelo processo, na qual são definidos percursos a serem sugeridos ao aprendedor e

--aquela controlada pelo aprendedor no qual este vai buscar seus próprios percuros em função de seus objetivos pessoais;

- escolha dos elementos de conhecimento e procedimento essenciais à aprendizagem (temas centrais) e que devem ser ressaltados como tais aos aprendedores;

- definição de percursos múltiplos que liguem os elementos considerados essenciais; esses percursos devem colocar o aprendedor em contato com diferentes perspectivas/contextos;

- criação de um ambiente de aprendizagem que ofereça ao aprendedor ferramentas para a construção de seus próprios percursos segundo seus objetivos pessoais;

- estímulo ao aprendedor (perguntas, ferramentas etc.) para que ele se engaje em séria reflexão sobre seus objetivos, sobre o grau em foram atingidos e sobre os próximos passos a serem dados.

fim