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As Teorias de Merrill
por Marcos Telles - Monday, 24 January 2005, 05:22
 

DynamicLab Gazette - 10- 05 -04
reflexões sobre a aprendizagem on-line

As Teorias de Merrill
Paula de Waal e Marcos Telles - Maio, 2004

M.D.Merrill apresentou, inicialmente, sua CDT e, depois, a ITT.

CDT - Component Display Theory

A CDT-Component Display Theory (1983) de M.D.Merrill é formada por 3 blocos de idéias:

- um sistema de classificação de desempenho-conteúdo,

- uma taxonomia de formas de apresentação e

- um conjunto de prescrições que ligam os dois bloco anteriores. 

Sistema de Classificação

O sistema de classificação adotado pela CDT, mostrado no quadro abaixo, fala em tipos de desempenho do aprendedor e em tipos de conteúdo.

CDT -Classificação

desempenho do aprendedorconteúdo
--lembrar exemplo

--lembrar generalidade

--achar/usar

--fato

--conceito

--procedimento

--princípio

Formas de Apresentação

Os processos instrucionais incluem seqüências de apresentações inter-relacionadas. Uma apresentação pode conter:

- generalidades ou

- casos específicos

e pode ser:

- expositiva (instrução) ou

- inquisitiva (perguntas).

A parir daí, a CDT define 4 formas primárias e 5 formas secundárias de apresentação:

As 4 formas primárias são:

- regras (apresentação expositiva de uma proposição geral),

- exemplos (apresentação expositiva de um caso específico)

- apelos à memória (perguntas sobre uma proposição geral) e

- prática (perguntas sobre um caso específico).

As 5 formas secundárias são:

- pre-requisitos,

- objetivos,

- auxílios,

- mnemonização e

- feedback.

Regras

Segundo a CDT, a presença de todas as formas primárias de apresentação torna a instrução mais

eficiente. Essas formas podem seguir modelos expositivos ou inquisitivos/investigativos. A ordem em que elas aparecem não é essencial, desde que estejam presentes.

Assim, um módulo de instrução, a partir de um objetivo, deve ser formado por uma combinação de regras, exemplos, apelos à memória e exercícios complementados por formas secundárias de apoio.

Central à teoria é a idéia de que o material deva ser concebido e oferecido de forma tal que o aprendedor possa escolher seu percurso de aprendizagem em termos de conteúdo e componentes.

Prática

A CDT tem sido, de forma perigosa, resumida na "receita": regra-exemplo-exercício. Embora esse roteiro possa ser útil, ele não é suficiente para garantir processos educacionais eficientes e eficazes. Muita coisa mais tem que ser levada em conta para que a aprendizagem se torne "significativa", no sentido de Ausubel.

Um pecado maior, freqüentemente praticado, é a tentativa de trabalhar apenas com a tela do computador ao invés de trabalhar com o conteúdo. Daí, talvez, a razão de vermos tantos adornos do tipo flash, animação e humor que apenas ajudam a distraem a atenção do aprendedor ou, pior ainda, estabelecem conflitos entre os conceitos e os ícones (ex: crime mostrado com imagens engraçadas).

É no próprio Merrill que podem ser encontrados alguns conselhos da maior valia:

- estimule e oriente a "atividade mental" do aprendedor,

- envolva o aprendedor em atividades que reproduzam situações reais relacionadas com o objeto da aprendizagem,

- ofereça feed-back ao aprendedor,

- pense em "interações" e não em "telas".

ITT - Instructional Transaction Theory

Mais recentemente (1999), Merrill reuniu novas idéias na ITT- Instructional Transaction Theory

Para Merrill, uma teoria instrucional deve dar respostas a duas questões:

- o que ensinar? e

- como ensinar?

Para ele, a definição de "o que ensinar" apresenta dois problemas distintos:

- seleção do conteúdo e

- representação do conteúdo.

A ITT não se preocupa com a seleção do conteúdo; uma vez definido o conteúdo, ela discute os componentes de conhecimento requeridos por um determinado tipo de instrução e a melhor forma de representar esses componentes para facilitar a aprendizagem. Pode-se, igualmente, dizer que ela enfoca a maneira de dividir o processo de aprendizagem em unidades de instrução.

Nela, o conhecimento é visto na forma de "dados" que são processados (apresentados, transformados etc.) através de "algoritmos" (transações) para que sejam alcançados bem definidos "objetivos instrucionais"(resultados).

Nesse quadro, a resposta à pergunta "como ensinar" será dada na forma de especificações quanto à maneira pela qual os componentes de conhecimento devem ser apresentados ao aprendedor para que eles e envolva nas interações necessárias à aquisição de conhecimento ou habilidade definida como objetivo a ser alcançado.

Assim uma "estratégia instrucional" inclui a forma de apresentar os componentes de conhecimento necessários, as atividades a serem desenvolvidas pelos aprendedores em relação a esses componentes e orientação que facilite a interação dos aprendedores com os componentes de conhecimento.

Merrill define "transação instrucional" como o conjunto das interações de aprendizagem necessárias para que o aprendedor adquira um conhecimento ou uma habilidade específica (objetivo da aprendizagem). Um "algoritmo instrucional" (chamado de "instructional transaction shell") contém as estratégias de apresentação, as estratégias para a definição das atividades do aprendedor e a orientação a ser dada ao aprendedor para que a aprendizagem resulte no objetivo desejado.

O "algoritmo instrucional" adequado a uma "transação instrucional" específica opera sobre um conjunto de "objetos de conhecimento" ligados por uma "estrutura de conhecimento" que contém todo o conhecimento necessário para que o aprendedor atinja o resultado proposto.

A ITT é bastante complexa mas oferece uma importante base de trabalho para algumas áreas como aquela dos "objetos de aprendizagem" (learning objects).

fim